Anielle depõe na PF em inquérito sobre denúncias contra Silvio Almeida

Por Redação | Atualizado em 14 de Janeiro de 2025

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, prestou depoimento à Polícia Federal nesta semana no âmbito do inquérito que apura denúncias de assédio sexual contra o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida. O depoimento ocorreu em Brasília e faz parte da investigação que corre em sigilo.

O caso

Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos desde o início do governo Lula, foi alvo de denúncias de assédio sexual feitas por mulheres que teriam trabalhado com ele. As acusações vieram a público em meados de 2024, gerando grande repercussão política. O caso foi encaminhado à Polícia Federal, que instaurou inquérito para apurar os fatos.

Anielle Franco, por sua vez, foi chamada a depor como testemunha, já que teria tido conhecimento de algumas das supostas ocorrências. A ministra também é uma das vozes do governo na pauta de direitos das mulheres e igualdade racial.

Contexto das denúncias

As denúncias contra Silvio Almeida foram protocoladas na Corregedoria do Ministério dos Direitos Humanos e posteriormente remetidas à PF. Segundo relatos, as vítimas potenciais seriam assessoras e servidoras que conviveram com o ministro em situações profissionais. O conteúdo das acusações não foi divulgado oficialmente, mas a imprensa noticiou que envolvem condutas de assédio moral e sexual.

O nome de Anielle Franco surgiu no curso da investigação porque algumas das denunciantes a procuraram antes de formalizar as queixas. A ministra teria orientado as mulheres a buscarem os canais oficiais e se colocou à disposição para colaborar com a Justiça.

O depoimento

Anielle compareceu à sede da Polícia Federal em Brasília na manhã de quarta-feira, acompanhada de seus advogados. O depoimento durou aproximadamente duas horas, período em que respondeu a perguntas dos investigadores sobre as circunstâncias das denúncias e eventuais conversas que teve com as supostas vítimas.

A PF também já ouviu outras testemunhas e analisa documentos e mensagens. O inquérito corre sob sigilo judicial, e detalhes do depoimento não foram revelados. A assessoria da ministra informou que ela prestou todos os esclarecimentos necessários e confia na apuração.

Repercussão política

O caso movimentou o meio político e acirrou debates sobre assédio sexual no serviço público. Aliados do governo defendem a apuração rigorosa dos fatos, enquanto opositores pedem o afastamento de Silvio Almeida. Até o momento, o ministro dos Direitos Humanos nega as acusações e afirma estar colaborando com as investigações.

Anielle Franco, ao deixar a PF, não falou com a imprensa. Sua assessoria limitou-se a reiterar o compromisso da ministra com a verdade e o respeito às instituições. O presidente Lula foi informado do andamento do inquérito e, segundo fontes do Planalto, acompanha o caso com atenção.

Impacto no governo

O escândalo ocorre em um momento delicado para a administração petista, que já enfrenta crises em outras áreas. A permanência de Silvio Almeida no cargo é vista como incerta: se as investigações avançarem e surgirem indícios fortes, uma saída pode ser negociada para evitar desgaste maior. Nos bastidores, aliados do ministro articulam sua defesa, enquanto setores do movimento feminino pressionam por uma posição firme do governo.

Próximos passos

A expectativa é que a PF conclua o inquérito nas próximas semanas e o encaminhe ao Ministério Público Federal, que decidirá sobre eventual denúncia. Caso haja indícios de crime, Silvio Almeida poderá se tornar réu no Supremo Tribunal Federal, já que possui foro privilegiado como ministro de Estado.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que, independentemente do resultado, o caso já provocou um debate necessário sobre assédio no serviço público e a importância de canais seguros de denúncia.

Perguntas frequentes sobre o caso

O que é assédio sexual?

Assédio sexual é a conduta de natureza sexual praticada contra alguém, de forma indesejada, que cause constrangimento ou crie ambiente hostil. No Brasil, é crime previsto no Código Penal, com pena de 1 a 2 anos de detenção, podendo ser aumentada em certas circunstâncias.

Quem investiga o caso?

O inquérito foi instaurado pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal. Por envolver um ministro de Estado, a investigação corre no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro competente.

Anielle Franco é investigada?

Não. A ministra foi ouvida como testemunha, não há qualquer investigação contra ela. Sua convocação se deu pelo fato de ter conhecimento dos fatos relatados pelas denunciantes.

O que acontece se Silvio Almeida for condenado?

Se condenado, Silvio Almeida pode perder o cargo e cumprir pena de prisão em regime semiaberto ou aberto, dependendo da pena aplicada. A condenação também pode gerar inelegibilidade.

Como denunciar casos de assédio?

Denúncias podem ser feitas ao Ministério Público do Trabalho, à Polícia Civil, à ouvidoria do órgão onde ocorreu o fato ou à Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180).

Veja também