Dengue: sorotipo 3 volta a circular no país e preocupa autoridades

14 de Janeiro de 2025 | Saúde

Após um período de baixa circulação, o sorotipo 3 do vírus da dengue (DENV-3) voltou a ser detectado em várias regiões do Brasil. A volta preocupa especialistas e autoridades de saúde, pois grande parte da população não teve contato com esse sorotipo e, portanto, não possui imunidade. Além disso, infecções sequenciais por sorotipos diferentes aumentam o risco de dengue grave. Neste artigo, explicamos o cenário, os sintomas e as formas de prevenção.

O que é o sorotipo 3 da dengue?

O vírus da dengue possui quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. O sorotipo 3 foi responsável por grandes epidemias no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, mas nas últimas duas décadas a circulação foi predominantemente dos sorotipos 1 e 2. Agora, o DENV-3 voltou a circular, gerando preocupação devido à suscetibilidade da população.

De acordo com especialistas, a reintrodução de um sorotipo que estava há anos em baixa circulação cria um cenário propício para novos surtos, especialmente em regiões com alta infestação do mosquito Aedes aegypti.

Por que o retorno do DENV-3 preocupa?

A principal preocupação é o fato de que a maioria dos brasileiros nunca foi infectada pelo DENV-3, o que significa baixa imunidade coletiva. Estudos mostram que infecções secundárias por um sorotipo diferente do primeiro aumentam significativamente o risco de dengue hemorrágica ou síndrome do choque da dengue. Como o DENV-1 e DENV-2 circularam amplamente nos últimos anos, muitas pessoas que já tiveram dengue podem estar mais vulneráveis a complicações se forem infectadas pelo DENV-3.

Além disso, a cobertura vacinal contra a dengue ainda é baixa no país, e a vacina disponível (Dengvaxia) tem eficácia limitada contra o sorotipo 3 em pessoas sem infecção prévia. As autoridades de saúde monitoram de perto a situação para evitar uma nova epidemia.

Quais os sintomas da dengue causada pelo sorotipo 3?

Os sintomas são semelhantes aos demais sorotipos: febre alta, dores musculares e articulares, dor atrás dos olhos, mal-estar, dor de cabeça e manchas vermelhas na pele. Em alguns casos, podem surgir complicações como sangramentos e queda de pressão, caracterizando a dengue grave. O tratamento é de suporte, com hidratação e medicação para febre e dor (evitando anti-inflamatórios). Não há medicamento específico contra o vírus.

É essencial procurar atendimento médico ao surgirem os primeiros sintomas, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Como se prevenir?

A prevenção continua sendo o combate ao mosquito Aedes aegypti. Medidas como eliminar água parada, usar repelente, instalar telas em janelas e manter caixas d'água vedadas são essenciais. A vacinação também é uma ferramenta importante; a vacina contra a dengue está disponível no SUS para determinadas faixas etárias, mas sua eficácia pode variar conforme o sorotipo.

A população deve ficar atenta aos mutirões de limpeza organizados pelas prefeituras e adotar hábitos diários de verificação de possíveis criadouros do mosquito.

Perguntas frequentes sobre o sorotipo 3

A dengue sorotipo 3 é mais perigosa que os outros?

O perigo maior está no fato de ser um sorotipo para o qual a população tem baixa imunidade, especialmente em infecções consecutivas. Indivíduos que já tiveram dengue por outro sorotipo apresentam maior risco de desenvolver a forma grave.

Como saber se fui infectado pelo sorotipo 3?

O diagnóstico laboratorial pode identificar o sorotipo por meio de exames específicos, mas na prática não é feito de rotina. O importante é reconhecer os sintomas e buscar atendimento médico para tratamento adequado.

A vacina protege contra o sorotipo 3?

A vacina disponível no Brasil (Dengvaxia) tem eficácia moderada contra o sorotipo 3, mas é recomendada apenas para pessoas que já tiveram dengue prévia. A decisão deve ser tomada com orientação médica.

O que fazer se suspeitar de dengue?

Procurar atendimento médico, fazer repouso e hidratação. Evitar medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios, que podem aumentar o risco de sangramentos. O diagnóstico precoce e o acompanhamento são fundamentais para evitar complicações.

O retorno do sorotipo 3 da dengue acende um alerta para toda a sociedade. A combinação de baixa imunidade, alta circulação viral e condições favoráveis ao mosquito exige ações coordenadas do poder público e da população. Manter as medidas preventivas e buscar informações em fontes oficiais é o melhor caminho para enfrentar esse desafio.