Desvalorização de commodities faz superávit comercial cair em outubro

15 de outubro de 2024 — 08h00 | Redação

O superávit comercial brasileiro registrou uma queda expressiva em outubro, reflexo direto da desvalorização das principais commodities exportadas pelo país. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que o saldo positivo da balança comercial ficou em US$ 5,2 bilhões, contra US$ 6,8 bilhões no mesmo mês de 2023 — uma retração de 23,5%.

O resultado veio abaixo das projeções do mercado financeiro, que esperava um superávit de US$ 6 bilhões para o mês. A principal causa apontada por analistas é a queda nos preços internacionais de commodities como minério de ferro, petróleo e soja, que juntos representam mais de 60% da pauta exportadora brasileira.

Cenário internacional pressiona cotações

Em outubro, o índice de preços de commodities calculado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) recuou 4,5% na comparação mensal. O minério de ferro, carro-chefe das exportações brasileiras, sofreu uma desvalorização de 8% no mês, influenciado pela desaceleração da economia chinesa — maior consumidora global do insumo — e pelo aumento da oferta australiana.

O petróleo tipo Brent também registrou queda de 6% em outubro, cotado a US$ 72 o barril, pressionado pela decisão da Opep+ de aumentar gradualmente a produção e pela demanda mais fraca na Europa e na Ásia. Já a soja, outro produto estratégico, caiu 3% no mercado de Chicago, refletindo a boa safra nos Estados Unidos e na América do Sul.

Exportações brasileiras em outubro

As exportações totais do Brasil somaram US$ 23,8 bilhões em outubro, uma redução de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas de produtos básicos caíram 6,5%, enquanto as de manufaturados tiveram leve alta de 0,8%, insuficiente para compensar a perda nas commodities.

Por outro lado, as importações totalizaram US$ 18,6 bilhões, crescimento de 2,1% na comparação anual, impulsionadas pela compra de máquinas e equipamentos, fertilizantes e produtos farmacêuticos. Esse movimento contribuiu para a redução do superávit.

Setores mais impactados

Entre os setores mais afetados está a indústria extrativa (minério de ferro e petróleo), que viu o valor exportado recuar 9% em outubro. O complexo soja (grão, farelo e óleo) apresentou queda de 5% no faturamento, apesar do volume embarcado estável. Já as carnes (bovina, suína e de frango) mantiveram‑se estáveis, com variação positiva marginal de 1%.

Em contrapartida, setores como o de celulose e papel registraram aumento de 3% nas exportações, beneficiados pela alta nos preços da celulose no mercado global. O setor sucroalcooleiro também teve desempenho positivo, com a demanda aquecida por etanol e açúcar.

Comparação com o ano anterior

No acumulado do ano até outubro, o superávit comercial brasileiro atingiu US$ 62 bilhões, contra US$ 68 bilhões no mesmo período de 2023. Apesar da queda mensal, o resultado anual ainda é considerado robusto, mas as projeções indicam que o saldo de 2024 deve fechar abaixo dos US$ 80 bilhões registrados em 2023.

O governo federal, por meio da Secretaria de Comércio Exterior, revisou a projeção de superávit para 2024 de US$ 76 bilhões para US$ 70 bilhões, levando em conta a tendência de preços mais baixos das commodities e a recuperação gradual das importações.

Perspectivas para os próximos meses

Analistas consultados pelo Boletim Focus do Banco Central estimam que os preços das commodities devem permanecer voláteis no curto prazo, com viés de baixa. A expectativa de novos cortes de juros nos Estados Unidos e a desaceleração da China são os principais riscos para a receita exportadora brasileira.

Por outro lado, a safra recorde de grãos prevista para 2025 e a entrada em operação de novos poços de petróleo no pré‑sal podem ajudar a compensar parte da perda de valor. A diversificação da pauta exportadora continua sendo um desafio estrutural de longo prazo.

Perguntas frequentes

O que significa superávit comercial? É a diferença positiva entre o valor das exportações e o valor das importações de um país em determinado período. O superávit gera divisas e fortalece a economia.

Por que as commodities estão tão voláteis? Os preços das commodities são influenciados por fatores globais: crescimento econômico, oferta e demanda, taxa de câmbio, política monetária dos EUA e tensões geopolíticas.

O Brasil pode reduzir a dependência de commodities? Sim, por meio de políticas industriais que incentivem a inovação, a agregação de valor e a exportação de produtos manufaturados e serviços.

Qual o impacto de um superávit menor no câmbio? Um superávit menor pode pressionar o real a se desvalorizar, pois entram menos dólares no país. No entanto, outros fatores como fluxo financeiro e taxa de juros também influenciam.

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