Em SP, Grito dos Excluídos questiona invisibilidade dos vulneráveis

Política

O tradicional Grito dos Excluídos, realizado no dia 7 de setembro, levou milhares de pessoas às ruas de São Paulo para denunciar a invisibilidade das populações vulneráveis e exigir políticas públicas que garantam dignidade e direitos. O ato foi organizado por movimentos sociais, sindicatos, coletivos e entidades da sociedade civil.

O Grito dos Excluídos é uma manifestação histórica que ocorre em todo o Brasil desde 1995, sempre no feriado da Independência. Diferente dos desfiles cívicos oficiais, o protesto busca dar visibilidade aos problemas estruturais do país e dar voz a quem é marginalizado. Em São Paulo, a concentração aconteceu no Largo da Batata, na zona oeste, e seguiu até a Praça da Sé, com palavras de ordem, cartazes e apresentações culturais.

O que é o Grito dos Excluídos?

O Grito dos Excluídos nasceu como uma iniciativa de setores progressistas da Igreja Católica, articulados com movimentos populares, para ocupar as ruas no 7 de setembro com uma pauta de justiça social. Desde então, tornou-se um espaço amplo e diverso, que agrega desde centrais sindicais até grupos ambientalistas e feministas. A cada ano, o evento escolhe um lema nacional, que orienta as discussões e reivindicações. Em 2025, o lema destacou a invisibilidade dos vulneráveis, provocando uma reflexão sobre quem são os invisíveis na sociedade brasileira.

A invisibilidade dos vulneráveis na maior metrópole do país

São Paulo, apesar de ser o maior centro econômico do Brasil, convive com contrastes profundos. Milhares de pessoas vivem em situação de rua, sem acesso a serviços básicos. A pandemia de Covid-19 agravou ainda mais esse quadro, empurrando famílias inteiras para a pobreza extrema. Os organizadores do Grito apontaram que a invisibilidade se manifesta também na falta de dados oficiais precisos sobre a população vulnerável, o que dificulta a criação de políticas públicas efetivas. "Não se pode cuidar do que não se vê", afirmou uma das lideranças do ato.

A falta de moradia digna, o desemprego estrutural, a fome e a precariedade do sistema de saúde foram alguns dos problemas citados durante a marcha. Para os participantes, a sociedade e o poder público precisam olhar com mais atenção para as periferias e para as populações historicamente excluídas, como negros, indígenas, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência.

Pautas e reivindicações

O ato entregou às autoridades um documento com propostas organizadas em sete eixos principais:

  • Moradia: ampliação de programas de habitação popular e aluguel social, com prioridade para famílias em situação de rua.
  • Alimentação: retomada do programa de aquisição de alimentos da agricultura familiar e expansão de restaurantes populares.
  • Saúde: financiamento adequado do SUS, horários ampliados nas unidades básicas e atendimento humanizado para a população de rua.
  • Educação: garantia de vagas em creches e escolas integrais, além de bolsas para estudantes de baixa renda.
  • Trabalho: geração de empregos formais, qualificação profissional e combate à precarização.
  • Justiça social: fortalecimento de políticas de igualdade racial e de gênero, com punição efetiva à violência.
  • Meio ambiente: preservação de áreas verdes urbanas, saneamento básico e políticas de adaptação climática.

O documento foi protocolado na prefeitura e no governo do estado, e os movimentos prometem acompanhar cada ponto para cobrar avanços concretos.

Participação e mobilização popular

A mobilização para o Grito dos Excluídos começou semanas antes, com reuniões preparatórias e divulgação nas redes sociais. No dia do ato, uma multidão ocupou a avenida Paulista e ruas adjacentes. Muitos participantes levaram cartazes feitos à mão, com mensagens contra a desigualdade e a favor da democracia. A diversidade era visível: famílias com crianças, jovens de coletivos culturais, trabalhadores sindicalizados, integrantes de movimentos de moradia e ativistas ambientais.

Para muitos, o Grito é uma das poucas oportunidades de serem ouvidos pelas autoridades e pela mídia tradicional. A presença de artistas e líderes comunitários ajudou a amplificar as mensagens. Durante a caminhada, foram realizadas paradas para discursos e apresentações musicais, mantendo o espírito de resistência e esperança.

Resposta das autoridades e próximos passos

A prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Assistência Social, informou que está analisando as propostas e que algumas medidas, como a ampliação de vagas em abrigos, já estão em andamento. O governo do estado destacou investimentos em programas habitacionais e de saúde, mas os movimentos consideram as respostas insuficientes. Novas assembleias estão previstas para as próximas semanas, com possibilidade de novas manifestações caso as demandas não sejam atendidas.

Perguntas frequentes sobre o Grito dos Excluídos

Qual a origem do Grito dos Excluídos?
Surgiu em 1995, articulado por pastorais sociais da Igreja Católica e movimentos populares, como forma de ocupar o 7 de setembro com pautas de justiça social.
Por que o ato ocorre no Dia da Independência?
Para contrapor o desfile militar e lembrar que o Brasil ainda não é uma nação verdadeiramente independente para grande parte da população, que vive excluída dos direitos básicos.
Como participar?
Basta procurar a organização local do Grito dos Excluídos em sua cidade ou acompanhar as redes sociais do movimento. Não é necessário vínculo partidário ou sindical.
O movimento é partidário?
O Grito dos Excluídos é um movimento suprapartidário, que reúne forças diversas em torno de pautas comuns, sem filiação a partidos políticos específicos.

O Grito dos Excluídos de 2025 em São Paulo mostrou que a luta por justiça social continua viva e necessária. A invisibilidade dos vulneráveis não pode ser naturalizada. Cabe a toda a sociedade cobrar ações efetivas do poder público e construir um país mais igualitário.

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