Guarulhos: homem com suspeita de mpox testa positivo para catapora
Um caso recente na cidade de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, chamou a atenção para a importância do diagnóstico diferencial entre doenças que apresentam sintomas cutâneos semelhantes. Um homem que desenvolveu febre e lesões suspeitas de mpox (varíola dos macacos) foi submetido a exames laboratoriais e testou positivo para catapora (varicela). O resultado surpreendeu a equipe médica, mas especialistas explicam que a confusão entre os sinais iniciais é mais comum do que se imagina, especialmente em um cenário onde ambas as doenças podem estar circulando.
O que é a mpox?
A mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, é uma doença viral causada por um orthopoxvírus. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, calafrios e linfadenopatia (inchaço dos gânglios linfáticos), que é um sinal distintivo. Após um período de incubação de 5 a 21 dias, surge uma erupção cutânea que evolui de máculas para pápulas, vesículas, pústulas e, finalmente, crostas. As lesões podem ser dolorosas e frequentemente aparecem no rosto, palmas das mãos e solas dos pés. A transmissão ocorre por contato direto com lesões, fluidos corporais ou gotículas respiratórias de pessoas infectadas, bem como pelo contato com objetos contaminados, como roupas de cama. Desde o surto global de 2022, a mpox tem sido monitorada de perto pelas autoridades de saúde, com vacinação direcionada a grupos de risco.
O que é a catapora?
A catapora, ou varicela, é uma doença altamente contagiosa causada pelo vírus varicela-zoster. É mais comum na infância, mas adultos que não tiveram a doença ou não foram vacinados também podem ser infectados. Os sintomas iniciais incluem febre baixa, mal-estar, falta de apetite e, em 24 a 48 horas, surge uma erupção cutânea característica: pequenas bolhas cheias de líquido (vesículas) que coçam intensamente. As vesículas surgem em ondas, principalmente no tronco, rosto e couro cabeludo, e secam formando crostas em cerca de 7 a 10 dias. A transmissão acontece pelo ar (através de gotículas de saliva) ou pelo contato direto com o líquido das bolhas. A catapora geralmente é leve na infância, mas pode causar complicações como pneumonia e infecções bacterianas secundárias em adultos, gestantes e pessoas imunossuprimidas.
Diferenças entre mpox e catapora
Embora ambas as doenças provoquem erupções cutâneas, existem diferenças importantes que auxiliam no diagnóstico clínico:
- Linfonodos inchados: São muito comuns na mpox (linfadenopatia generalizada) e raros na catapora.
- Aspecto das lesões: Na mpox, as lesões são mais profundas, firmes e dolorosas, evoluindo todas no mesmo estágio. Na catapora, as vesículas são superficiais, frágeis e coçam muito, aparecendo em diferentes estágios ao mesmo tempo (máculas, vesículas e crostas coexistem).
- Localização: A mpox afeta com frequência palmas das mãos, solas dos pés e região genital. A catapora tem distribuição centrípeta (mais lesões no tronco do que nas extremidades).
- Febre: Na mpox, a febre costuma ser alta e aparece antes das lesões; na catapora, a febre é moderada e coincide com o início da erupção.
- Período de incubação: Mpox: 5 a 21 dias; Catapora: 10 a 21 dias.
O diagnóstico definitivo é feito por meio de exames laboratoriais, como PCR de swab de lesões ou sorologia. No caso de Guarulhos, a testagem específica foi fundamental para descartar mpox e confirmar catapora.
O caso de Guarulhos
O paciente, um adulto residente em Guarulhos, procurou atendimento médico com quadro de febre, dor de cabeça e múltiplas lesões cutâneas. Devido à suspeita inicial de mpox — considerando o histórico de viagens e o cenário epidemiológico — a equipe de saúde coletou amostras para testagem molecular. Para surpresa de todos, o resultado foi positivo para varicela e negativo para mpox. O diagnóstico correto permitiu que o paciente recebesse orientações adequadas, incluindo medidas de isolamento para evitar a propagação da catapora, que é altamente transmissível para pessoas não vacinadas. Casos como esse reforçam a necessidade de não se basear apenas na apresentação clínica, especialmente em regiões metropolitanas onde ambas as doenças podem estar presentes. O diagnóstico diferencial por teste laboratorial é essencial para guiar a conduta clínica e as ações de saúde pública.
Tratamento e prevenção
O tratamento da catapora é principalmente sintomático: repouso, hidratação e medicamentos para febre e coceira (antitérmicos e anti-histamínicos). Em casos graves ou em pacientes de risco, o antiviral aciclovir pode ser prescrito. A vacina contra varicela está disponível no calendário infantil (aos 12 meses e aos 4 anos) e é altamente eficaz na prevenção da doença grave. Já a mpox não tem tratamento antiviral específico amplamente disponível; o manejo é de suporte. Existe vacina contra mpox aprovada, indicada para contatos próximos de casos confirmados e profissionais de saúde expostos. Para ambas as doenças, medidas como higiene das mãos, não compartilhar objetos pessoais e evitar contato próximo com pessoas infectadas são fundamentais. Se você apresentar febre e erupção cutânea, procure uma unidade de saúde para avaliação. Não se automedique e evite contato com outras pessoas até esclarecer o diagnóstico.
Perguntas frequentes (FAQ)
É possível confundir mpox e catapora?
Qual doença é mais grave?
O tratamento para mpox e catapora é o mesmo?
Quanto tempo dura a catapora em adultos?
Devo me vacinar contra catapora se já tive a doença?
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