No Dia de Combate ao Fumo, entidades alertam sobre cigarro eletrônico

29 de agosto de 2024 | Da Redação Jurema em Foco

Nesta quinta-feira, 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo, entidades médicas e organizações de saúde pública de todo o Brasil reforçam o alerta para os perigos do cigarro eletrônico. O dispositivo, que se popularizou rapidamente entre os jovens, é tratado por especialistas como uma grave ameaça à saúde, capaz de criar dependência química e causar lesões pulmonares severas.

A campanha deste ano, promovida pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em parceria com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), foca em desmistificar a falsa ideia de que o vapor dos dispositivos eletrônicos é inofensivo. Dados recentes mostram que o uso de cigarros eletrônicos cresceu mais de 400% entre adolescentes nos últimos cinco anos, acendendo um sinal de alerta nas escolas e famílias.

Os riscos ocultos do vapor

Apesar de serem frequentemente promovidos como uma alternativa menos prejudicial ou uma ferramenta para parar de fumar, os cigarros eletrônicos contêm nicotina em altas concentrações, além de substâncias cancerígenas e partículas ultrafinas que danificam os alvéolos pulmonares. Estudos associam o uso regular a condições como a EVALI (Lesão Pulmonar Associada ao Uso de Cigarro Eletrônico) e a bronquiolite obliterante, popularmente conhecida como "pulmão de pipoca", uma doença grave e irreversível.

Especialistas explicam que a inalação do aerossol liberado pelo aquecimento dos líquidos pode conter metais pesados, como chumbo e níquel, além de compostos orgânicos voláteis. O mito de que "é apenas vapor d'água" é um dos maiores desafios das campanhas de conscientização.

A regulamentação e a luta contra o contrabando

No Brasil, a comercialização, importação e propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009. No entanto, o mercado ilegal cresce de forma exponencial, com dispositivos sendo vendidos abertamente em lojas online e até mesmo em vias públicas. As entidades de defesa do consumidor alertam que a falta de regulamentação sanitária expõe os usuários a produtos sem qualquer controle de qualidade, aumentando os riscos.

Projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional tentam flexibilizar a proibição, gerando intenso debate entre parlamentares e a comunidade científica. A ACT Promoção da Saúde, uma das entidades que lidera a oposição à liberação, defende que a prioridade deve ser o fortalecimento das políticas de prevenção ao tabagismo e o combate ao contrabando, e não a legalização de um produto comprovadamente nocivo.

O apelo para os pais e educadores

Uma das principais frentes de combate é a informação direcionada aos jovens. O design moderno, os sabores atrativos (como menta, frutas e doces) e a fácil ocultação do dispositivo são apontados como estratégias da indústria para fisgar uma nova geração de dependentes. Sintomas como tosse seca persistente, falta de ar, chiado no peito e alterações no paladar podem ser sinais do uso do cigarro eletrônico.

Especialistas recomendam que pais e professores estejam atentos a mudanças de comportamento e ao surgimento desses sintomas. O diálogo aberto e o acesso a informações científicas de qualidade são as ferramentas mais eficazes para prevenir o início do uso.

Tratamento e apoio no SUS

Para quem já é dependente da nicotina, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito em unidades básicas de saúde e centros de referência. O programa inclui acompanhamento médico, psicológico e, em alguns casos, medicação para auxiliar na cessação do tabagismo. O primeiro passo é procurar a unidade de saúde mais próxima e pedir orientação.

Perguntas frequentes sobre o cigarro eletrônico

1. Cigarro eletrônico ajuda a parar de fumar?
Não. Não há evidências científicas sólidas que comprovem a eficácia do cigarro eletrônico como método para cessação do tabagismo. A Anvisa e a OMS desaconselham o uso para este fim, alertando que o dispositivo pode manter a dependência química e levar ao uso de múltiplos produtos de tabaco.

2. O que é EVALI?
EVALI (E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury) é uma lesão pulmonar grave associada ao uso de cigarros eletrônicos. Os sintomas incluem falta de ar, dor no peito, tosse, febre e náuseas. A condição pode levar à hospitalização e, em casos extremos, ao óbito.

3. O cigarro eletrônico causa dependência?
Sim. A maioria dos líquidos utilizados nos cigarros eletrônicos contém nicotina, substância psicoativa com alto potencial de causar dependência. A concentração de nicotina pode ser até mesmo superior à encontrada nos cigarros convencionais.

4. Fumar perto de outras pessoas faz mal?
Sim. A fumaça e o aerossol liberados contêm nicotina e outras substâncias tóxicas. A exposição passiva ao vapor representa riscos para a saúde de crianças, gestantes e idosos, especialmente em ambientes fechados.

5. Onde posso buscar ajuda para parar?
O SUS oferece tratamento gratuito para cessação do tabagismo em todo o país. Basta procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O Viva sem Tabaco, programa do INCA, também disponibiliza materiais de apoio online.

Organizações como a Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) e a SBPT reforçam que o Dia Nacional de Combate ao Fumo é uma oportunidade para a sociedade refletir sobre os danos causados pelo tabaco em todas as suas formas e cobrar políticas públicas efetivas de prevenção e fiscalização.